13 de agosto de 2009

A fé solúvel


Sinto-me ainda feliz por poder passar uma tarde em casa, mesmo nem sabendo mais pra que eu a queria tanto, ouvir musica, colocar os pés sobre a mesa. Saber que é tarde, que o sol fraqueja como vela em janela aberta. A manhã não, a manhã amedronta, ela é um todo no começo, agonia do titulo de texto, estação de trem inicial, a tarde é pelos meios, pelos meios que falo, pelos meios que me lembram, pelo meio que reconhecemos o passado e vemos futuro.

A vida é um sujeitinho engraçado. Há três dias conseguiria entender que eu podia ser o dono da razão, o dono dos passos, mas hoje no meio eu não sou. A vida prega peças quando se diverte com a manhã. Talvez venha daí, minha imensa vontade de dormir ate as 11 da matina, pra passar logo o tormento e o engano do começo do dia.

Eu sou aquele que acredita que seria se tivesse todo tempo do mundo comigo. Eu sou como o acorde fino de uma nota mal tocada, não sei de onde venho, não sei por onde vibro.

Meu sonho consiste em uma tarde, todos os anos que vivo não são nada, eu espero apenas uma tarde de minha vida. Desejo tê-lo ao meu lado, desejo o clima ameno, desejo a ligação de meu pai, desejo não ter que pensar em desejar, que as coisas deveriam acontecer antes mesmo que eu as almejasse.

As conversas, o sol, a varanda com gosto de vento, a preguiça da própria existência, as copas de arvores movendo-se desenhando sombras no chão. Queria do meio esquecer de tudo, ser um verão eterno, ser sono melancólico dos bons, ser exatamente o tempo que se é as quatro da tarde.

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